13.3.08

Caribou - Santiago Alquimista (13.3.2008)


O caminho a pé da estação de metro Baixa-Chiado até ao edifício da Junta de Freguesia de Santiago não é fácil de fazer. As velhas vielas e escadinhas lisboetas não se compadecem com pulmões gastos, mas era esse o caminho a fazer para assistir ao concerto de Caribou no passado dia 12, e ainda houve bastante gente a dispor-se a ofegar um pouco para ver o projecto de Dan Snaith com os próprios olhos/ouvidos. Aliás, já bastante antes do concerto havia bastante gente no pequeno (mas catita!) espaço do Santiago Alquimista, emprestando-lhe um certo calor humano enquanto se ouvia Person Pitch e se esperava.

O concerto propriamente dito começou passada pouco mais de meia-hora das 22h que constavam nos bilhetes, com Dan Snaith a entrar de meias (brancas!) e acompanhado pelos calçados Ryan Smith, Brad Webber e Andy Lloyd. Sem contemplações, devaneios ou explicações atacaram uma enérgica Sundial, bastante mais barulhenta que a versão de estúdio, dando o mote para uma actuação que mais vezes derivou para devaneios controlados a saber a Can ou a Neu! do que para a "indietrónica-psicadélica-pastoral" que marca o último Andorra. Este não foi, aliás, o único território que os canadianos pisaram, preferindo deitar mão a pitadas de álbuns anteriores (The Milk of Human Kindness e Up in Flames, dos tempos pré-processo judicial que fez o vulcão mudar de nome para alce).
setlist
setlist roubada, com a conivência dos roadies


Quase todo o concerto decorreu sem interrupções ou grandes conversas, sublinhado com projecções que, se não acrescentavam muito ao espectáculo, criavam efeitos engraçados nas costas dos que estavam no andar inferior do espaço. Enquanto isso, Dan Snaith andava num verdadeiro lufa-lufa, alternando entre a guitarra, a bateria, teclados diversos e (até) a flauta, contribuindo para uma dinâmica "kraut" acelerada que fez ligação directa a várias ancas meneantes, mas que acolheram entusiasticamente o momento mais "slow" do concerto, a dulcíssima She's the One (tudo o que uma certa banda francesa alguma vez sonhava ter composto). Depois, voltaram os ritmos mais elevados, com destaque natural para a belíssima Twins, já quase a fechar a actuação.

Em encore, depois de uma curtíssima pausa para respirar e não mais de quatro palavras de Dan Snaith, apareceram Hello Hammerheads e o final catártico com A Final Warning, com os quatro membros da banda a atirarem-se às percursões com todas as energias que lhes sobravam. Foi um final intenso para uma actuação inesperada mas conseguida de Dan Snaith e companhia nessa noite do Santiago Alquimista.

O caminho de regresso foi bem mais fácil de se fazer...

7.3.08

Música do tempo em que os homens usavam chapéu (e as meninas saia pelo joelho) (Vagabond Opera - CAE, Figueira da Foz - 07.03.2008)

O Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz foi, de facto, demasiado grande para os Vagabond Opera, banda de Portland, pela primeira vez no nosso país. Estaria cerca de um quarto da sua capacidade total ocupada, maioritariamente por casais de meia-idade, bem vestidos e, certamente, à espera de um “agradável serão”…

Foi ainda com dúvidas sobre se o que teria atraído mais as pessoas ao concerto tinha sido a mistura de Cabaret, Tango e Opera praticada pelos Vagabond Opera, se a sua aparição recente no programa da Fátima Lopes, foi ainda com dúvidas, dizia, que a luz se apagou. Um foco atingiu o palco e assim que a menina Lesley Kernochan colocou uma moedinha num balde e deu a uma manivela imaginária, o espectáculo começou.

Vagabond Opera
Bruno Raposo

Mais fotografias
aqui.

Em trajes que, não fosse o seu excelente estado de conservação, poderiam ter quase um século, surgiram um cantor de ópera acordionista e mestre de cerimónias, um saxofonista dançarino e cantor, uma saxofonista e cantora lírica com agudos impossíveis que também tocava serrote, um virtuoso violoncelista aparentemente alheado do mundo em movimentos deslizantes como quem apaga cigarros, um contrabaixista com cara de bom rapaz e um baterista que falava português com sotaque do Brasil.

Foi este sexteto que durante hora e meia conseguiu misturar nomes como Édith Piaf, Charlie Chaplin e Jacques Brel, lugares como o Mississipi, Itália e Macedónia e estilos como a valsa, a chanson française e música cigana.

O espectáculo vinha "enlatado e pronto a consumir", em tudo o que isso possa ter de bom e de mau. Algo nervosos e presos na primeira metade do concerto, foram aos poucos mexendo-se mais naturalmente, contando algumas historietas e criando empatia com o público, o que foi apenas totalmente conseguido no encore. Conseguiram mesmo levar à histeria pelo menos 3 meninas que, com grande probabilidade, se chamariam Rita, Joana e Teresinha.

Depois de abandonar o palco a banda deve ter desatado a correr pelo backstage pois ao sairmos do Auditório já estava a vender os seus dois discos editados até ao momento "Get On The Train", de 2003, e "Vagabond Opera", de 2006, bem como a dar alguns autógrafos e a tirar fotografias com quem assim quisesse.

Foi aí que nos confessaram que tinham feito, pela primeira vez, playback no programa da Fátima Lopes e que tinham ficado muito impressionados tanto com o ventríloquo residente no programa como com o senhor que antes tinha estado a falar sobre hemorróidas.

Enfim, tudo bons rapazes…