3.8.08

Festival Paredes de Coura - 4º dia

[Palco Ibero Sounds]

_Komodo Wagon:
No último dia de existência deste palco dedicado exclusivamente a bandas de Portugal e Espanha (mais uma boa ideia da organização) a abertura esteve a cargos dos Komodo Wagon. Não foram muitas as pessoas que se deixaram convencer pelos portugueses que apresentaram um Rock poderoso mas sem grande sabor.

_We Are Standard:
De seguida, de Bilbao, chegaram-nos os We Are Standard. Deram um concerto bastante suado e divertido, baseados num electro-pop-rock que fazia lembrar os !!! e os Happy Mondays. O quinteto espanhol foi uma boa descoberta para muitos, mas mostrou ter já bastantes fãs que vieram do lado de lá da fronteira.


[Palco Principal]

_Ra Ra Riot:
Com o sol a começar a pôr-se, a Indie Pop dos Ra Ra Riot afigurava-se ideal para quem queria iniciar a noite de forma relaxada sentado na relva a bater o pé e a beber uma cerveja. Quem estava à espera de um concerto mais empolgante por parte dos 4 meninos e 2 meninas de Nova Iorque terá ficado, no entanto, desapontado. Apesar das boas músicas que os Ra Ra Riot compõem e da honestidade com que as interpretam, a falta de rodagem da banda não os conseguiu levar além de um concerto morno, o que para a abertura de um Palco Principal, não é nenhum pecado.

_Au Revoir Simone:
O concerto da noite, no que ao Palco Principal diz respeito, ficou guardado para as Au Revoir Simone, aquelas que são, provavelmente, as 3 meninas mais fofinhas (sim, estou consciente de que estou a usar esta palavra) do Universo da Pop. Erika Forster, Annie Hart e Heather D'Angelo pisaram timidamente o palco nos seus vestidinho coloridos, escondendo-se atrás dos seus 3 órgãos e sintetizadores, mas a meio do concerto anunciavam já que aquele era o melhor concerto que já tinham dado. Não é difícil de acreditar, pois a espontaneidade das palmas e os sorrisos enternecidos foram uma constante, tanto em palco, quanto no público. Criou-se um ambiente perfeito cuja banda sonora foram as melodias lindíssimas retiradas dos 2 discos das Au Revoir Simone e ainda inéditos igualmente bem acolhidos pelo público. Despediram-se dizendo que certamente as iríamos encontrar por aí, "dancing the night away". Eu bem que procurei...

_Tributo a Joy Division:
É difícil falar sobre o concerto de Tributo a Joy Division. E é assim pois estão em causa pessoas como, entre outros, Rodrigo Leão (Sétima Legião, Madredeus), Pedro Oliveira (Sétima Legião, Cindy Kat) e Pedro Gonçalves (The Gift). A ideia até pode ter sido boa. Se há banda que merece ser relembrada são os Joy Division e o currículo dos intervenientes levava a pensar que isso ser feito com dignidade e valor artístico. Outros, como os Low ou os Therapy já mostraram que tal é possível. No entanto, o concerto revelou-se penoso, para quem não conhecesse a banda de Ian Curtis, e revoltante para os restantes. Foi com um misto de tristeza, perplexidade e pena (pelos temas originais e por quem estava em cima do palco) que se assistiu ao desfilar de versões absolutamente fúteis e claramente pouco ou mal ensaiadas, que mais pareciam estar a ser tocadas por uma banda de liceu. Por momentos pareceu que a barraca de Karaoke existente no topo da colina tinha escorregado até ao Palco...

_Biffy Clyro:
A banda escocesa mostrou ter um número considerável de fãs que seguem o seu trabalho. Desde os primeiros temas do concerto o público reagiu com entusiasmo ao Rock (que misturava elementos de Noise, Grunge e até Nu-Metal) que a banda de Glasgow apresentou. É um power-trio com grande poder sonoro, muito coeso e coordenado (natural para quem já tem experiência de 10 anos de carreira em conjunto) no entanto, o concerto revelou-se um pouco repetitivo.

_Lemonheads:
Segui-se a banda de Evan Dando que ganhou notoriedade quando a euforia Grunge arrastou para as rádios a versão de Simon & Garfunkel, Mrs. Robinson (que ficou de fora do alinhamento), pertencente ao seu mais emblemático album 'It's A Shame About Ray'. Foi aliás a este disco de 1992 que os Lemonheads mais recorreram com temas como 'My Drug Buddy', 'Bit Part' e, claro, 'It's A Shame About Ray'. A grande maioria do público claramente não conhecia o trabalho da banda americana, pois nem os maiores êxitos causaram grande entusiasmo. A meio do alinhamento Evan Dando ficou sozinho em palco, apenas com a guitarra, e tocou meia dúzia de temas, nomeadamente alguns, se não estamos enganados, da sua carreira a solo. Foi um bom concerto para quem queria recordar a sonoridade dos anos 90, mas fraco para quem esperava saltar ao som de Rock 'orelhudo'.

_Thievery Corporation:
Os americanos Rob Garza e Eric Hilton subiram ao palco para aquilo que se esperava: um concerto cheio de sonoridades dub, funk, acid jazz e lounge, todas suportadas por vocalistas convidados que, rotativamente, faziam as honras de pegar no microfone. Desde dois senhores de rastas e sotaque jamaicano, a duas meninas (uma delas brasileira que não se cansou de pedir o apoio do público do "Porto"...), passando por um quase-crooner de cabelos grisalhos e pose distinta, todos foram dando voz aos ambientes criados pelos Thievery Corporation, banda com mais de 10 anos de história e que já contou com participações de nomes como David Byrne, Norah Jones, Perry Farrell (Jane's Addiction) e Wayne Coyne (Flaming Lips). Tornou-se num concerto algo maçador, o ideal para ver e ouvir num confortável puff da zona de imprensa...


[Palco Burn After Hours]

_Caribou:
Eram já quase 3 da manhã quando subiu ao palco o senhor Daniel Snaith numa das suas peles, os Caribou. Fez-se acompanhar de mais 3 músicos (guitarra, baixo e bateria) enquanto que ele mesmo valia por outros 3, já que ia alternando entre outra guitarra, o sintetizador e uma segunda bateria. Abriu o concerto com temas do seu 'Andorra', de 2007, entre as quais a brilhante 'Melody Day'. Ao longo de uma hora a energia foi contagiante e só mesmo ela (e as excelentes interpretações dos canadianos) conseguiram manter firme o público cansado de 4 dias de festival. Com grande simpatia e competência, os Caribou alinhavaram um concerto cheio de psicadelismo e experimentalismo mas onde faltaram alguns traços de doçura pop da qual Daniel Snaith já mostrou ser capaz em disco.

_Twin Turbo:
A fechar, dois Dj's do Porto, Pedro Pinto e Nuno Pinto, sob o pseudónimo Twin Turbo, extenderam a noite até às 5 da manhã ao som de fortíssimas batidas techno e laivos de electro.

Sem comentários: