31.7.08

Festival Paredes de Coura - 1º dia

[Palco Principal]

_Bunnyranch:
A edição de 2008 daquele que é talvez o melhor festival de Verão português abriu com os Bunnyranch, a primeira das 4 bandas de Coimbra a entrar em acção durante os 4 dias de concertos. A curiosidade de ver a abertura do festival, o Sol (que se iria manter até ao fim das festividades) e a possibilidade de ouvir o novo disco 'Teach Us Lord...', terão incentivado o público a encher o já mítico anfiteatro (semi-natural) de Paredes de Coura para ver os conimbricenses, já repetentes naquele palco, depois de por lá terem passado em 2004. Ao longo dos 40 minutos que lhes estavam reservados os Bunnyranch (todos de preto) deram as boas vindas ao público do Festival, liderados pelo irrepreensível mestre de cerimónias Kaló. O alinhamento foi buscar um pouco a cada um dos seus discos anteriores e, obviamente, a 'Teach Us Lord...' (a primeira metade de um album que se verá completo quando for editado, em Outubro, o 2º disco) do qual apresentaram o contagiante 1º single 'Top Top To The Top' e aquele que, segundo Kaló, será próximo, 'Stand By'.

_X-Wife:
Seguiu-se outra banda portuguesa, também repetente no Festival e também em vésperas de editar o seu 3º Longa Duração. Os X-Wife de João Vieira (que começa a fugir ao falsete), Fernando Sousa (que nunca deixa em casa os óculos escuros e o Vocoder) e Rui Maia (obcecado por qualquer som que um sintetizador possa produzir), aos quais se juntou um baterista convidado (estratégia iniciada precisamente em Paredes de Coura, no palco secundário, há duas edições atrás), continuaram a debitar energia Rock, mas envolta em ambientes Electro. Estão bem definidos os territórios musicais que percorre esta banda do Porto e as duas novas músicas apresentadas, pertencentes a 'Are You Ready For The Blackout?' entre as quais o single 'On The Radio', que contou com a presença de Raquel Ralha, dos Wraygunn, deixam antever um album bastante interessante.

_Bellrays:
A primeira banda estrangeira a pisar o palco principal foram os Bellrays. Trouxeram na bagagem a discografia e a competência de quem já tem 16 anos de edições e de estrada. Liderados pela vocalista Lisa Kekaula, que dá o toque soul e funk ao Rock com inluências Punk produzido pelos californianos, os Bellrays mostraram um pouco do seu novo disco, lançado este ano, 'Hard Sweet And Sticky'. Mas porque ainda faltavam 2 concertos e nem só de música vive o homem, os Bellrays acabaram por ser o elo mais fraco, pois uma boa parte do concerto foi apenas ouvido da zona da restauração...

_Mando Diao:
Já era noite cerrada quando entraram em palco os Mando Diao, eles que tinham cancelado a sua presença na edição de 2007. Talvez também por isso, os suecos eram aguardados por muito público que ao longo do concerto mostrou conhecimento dos temas mais emblemáticos da banda. Apesar do seu último registo, 'Never Seen The Light Of Day' ser claramente o mais fraco da discografia dos suecos, o concerto entusiasmou mesmo quem estava na parte superior do anfiteatro, isto porque os 5 meninos de Borlänge não faltaram certamente a nenhuma aula da disciplina de 'Rock & Roll'. E se isso se nota nos albums, ao vivo também é evidente que o Rock para os Mando Diao é uma religião.

_Sex Pistols:
Finalmente, o momento mais aguardado da noite, ainda que por razões diferentes. Uns eventualmente à espera do circo que os Sex Pistols pudessem montar, outros para verem se tinham acertado nas apostas sobre o peso de Johnny Rotten e amigos, outros ainda simplesmente para ouvirem e verem algumas das músicas mais marcantes da história do Punk. Pode-se dizer que nenhuma das facções terá ficado totalmente satisfeita porque se há coisa que os Pistols nunca conseguiram ser, foi unânimes. E mesmo que o tenham aprendido entretanto, não estão nada interessados em fazê-lo. Provocatórios e irónicos como sempre (houve até um punk criticado por Johnny Rotten por ter, imagine-se, subido ao palco), ninguém passou imune ao dedo indicativo da atitude Punk, desde o técnico de som a Alá. A banda de Londres, com os quatro membros originais (Rotten, Steve Jones, Paul Cook e Glen Matlock) tocou os seus maiores clássicos ('Pretty Vacant', 'God Save The Queen', 'Anarchy In The UK', 'EMI', entre outros) e ainda 2 versões ('No Fun', dos Stooges e 'Roadrunner' dos Modern Lovers). No fim dividiram, obviamente, opiniões. De um lado os que os acusavam de estar velhos e acomodados e de sobreviverem à custa de apenas um disco gravado há mais de 30 anos, do outro os que elogiavam a frontalidade de assumir que o fazem pelo dinheiro e de que as boas músicas são para continuar a tocar. Os Sex Pistols são provavelmente tudo isto e por isso, para o bem ou para o mal, a sua passagem por Paredes de Coura foi absolutamente marcante.


[Palco Burn After Hours]

_The Mae Shi:
Com o fim dos concertos no Palco Principal o público dirigiu-se para o Palco 2 para assistir ao concerto dos The Mae Shi. O rapazes de Los Angeles deram um concerto bastante musculado, onde mostraram a sua veia de Rock experimental que já lhes valeu 3 discos desde 2004. O mais recente, o impronunciável 'HLLLYH', esteve presente no alinhamento e conquistou certamente mesmo quem não conhecia a banda californiana.

_DJ Amable:
A fechar a noite e o Palco 2, foi a vez do espanhol DJ Amable, presença habitual na discoteca Razzmatazz, em Barcelona. Apresentou uma selecção dos êxitos do momento, no que diz respeito às sonoridades Pop, Rock e Electro, indo buscar bandas como Los Campesinos, Vampire Weekend e The Gossip.

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